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Touchless Retail ganha força com a pandemia



Lavar as mãos frequentemente, higienizar as compras do supermercado, manter a distância de outras pessoas. A pandemia da Covid-19 nos obrigou a adotar novos hábitos em nome da saúde, e tudo indica que pelo menos alguns deles vieram para ficar. Após sentir o impacto das medidas de isolamento social, o comércio começa a retomar as atividades, e está buscando formas de se recuperar, sem deixar de zelar pela segurança dos consumidores. Nesse cenário, uma nova tendência ganha força: o touchless retail.

Um novo consumidor

O varejo tem se atentado cada vez mais às necessidades do seu consumidor, e tudo indica que o chamado “novo normal” estará presente nas relações entre as pessoas e os principais mercados daqui pra frente.

Um dos principais pontos afetados no setor pela pandemia foi a logística: as vendas online, que já existiam, mas ainda estavam em amadurecimento no Brasil, dispararam, obrigando marcas e lojas a se adaptarem. Quem não tinha comércio online, precisou criar um para se manter em atividade e atender à demanda dos consumidores por compras práticas e entregas rápidas.

O consumidor também se transformou: está mais conectado, mais tecnológico, com mais acesso a informações e exigindo uma personalização no seu atendimento, ainda que ele seja remoto ou autônomo. Diante disso, as empresas têm investido em tecnologias para conhecer melhor seu cliente e oferecer uma melhor experiência de compra.

A startup Propz, que utiliza inteligência artificial e big data para monitorar o comportamento do consumidor, aposta em uma mudança drástica na relação com o ponto de venda. “O cliente está ainda mais exigente, imediatista e decidido sobre as decisões que irá tomar, procurando por instituições que tenham um propósito maior e estejam, acima de tudo, preocupadas com o seu público-alvo. O conceito de Touchless Retail é importante porque mostra que as marcas estão atentas ao novo cenário. Para atender o seu cliente, principalmente neste momento de abertura de mercado, o varejista sentirá a necessidade de conhecer toda a jornada dele em todos os canais, para melhorar a comunicação e oferecer sempre o melhor produto.”, explica o COO Israel Nacaxe.

Tecnologias para o novo normal no varejo

De acordo com um estudo realizado pela Konduto, o comércio eletrônico registrou um aumento de 119,45% em junho, na comparação com janeiro, antes da Covid-19. Mesmo com a abertura parcial de alguns estabelecimentos, diversas medidas tiveram que ser adotadas para prevenir o contágio da doença, e as soluções tecnológicas têm sido essenciais para garantir a segurança dos consumidores e trabalhadores nessa retomada, além de proporcionar diferentes experiências na hora de adquirir um produto.

A Realidade Aumentada e o autoatendimento, por exemplo, são algumas das alternativas que estão ganhando espaço nesse novo cenário. Com isso, cada vez mais varejistas devem utilizar self-checkout, terminais de autoatendimento, totens para compras online, delivery, entre outros.

“Realizar pagamentos sem a necessidade do toque passou a ser uma prática necessária dentro dos estabelecimentos comerciais. A biometria facial como forma de autenticação de pessoas é uma excelente alternativa que poderá ser utilizada pelo setor varejista. Processos sem a necessidade de contato com objetos e mais personalizados são tendência”, afirma Danny Kabiljo, que é CEO da FullFace, empresa brasileira especializada em biometria facial.

Outra empresa que vem surfando a onda de bons negócios estimulados pela pandemia é a Market4u, maior rede de mercados autônomos do Brasil, com 309 unidades em funcionamento em 39 cidades. Seu modelo de negócio baseia-se em instalar dentro dos condomínios um pequeno mercado autônomo, sem atendentes, para que os condôminos possam realizar suas compras. Para isso, é necessário baixar o aplicativo da empresa, se cadastrar e efetivar o pagamento dos produtos que adquiriu, tudo de forma online e sem precisar ter contato com nenhum tipo de máquina.

“Atuamos em conjunto com licenciados que, utilizando a nossa tecnologia, realizam a operação de mercados autônomos em suas cidades. Desde o começo do ano crescemos mais de 100%, e com a pandemia já crescemos mais de 50x”, diz o CEO Eduardo Córdova. Para 2021, a expectativa da empresa é chegar a 10 mil condomínios no Brasil, e iniciar seu plano de internacionalização para cinco países.

Fonte: Consumidor Moderno | Postado em: 22/09/2020