19MAI

Os efeitos do isolamento social nos números do Carrefour



A rotina do consumidor mudou completamente nos últimos meses. O isolamento social ampliou as compras feitas no lar e, mesmo utilizando serviços de delivery de refeições – como iFood e Rappi –, o brasileiro passou a cozinhar mais e a adquirir mais produtos básicos. Essa mudança de comportamento afetou toda a economia. Para parte dos setores de bens não duráveis, o efeito foi positivo, como mostram os dados inclusive de um dos principais players, o Carrefour.

De acordo com análise realizada pela Cielo, o setor de Super e Hipermercados cresceu 13,6% entre 1º de março e 9 de maio. O Grupo Carrefour Brasil, por sua vez, obteve um crescimento de 12,5% no primeiro trimestre do ano, em comparação com o mesmo período de 2019. As vendas em postos de gasolina não foram consideradas nesse número. Mantendo um sólido desempenho, a empresa totalizou R$15,9 bilhões em vendas brutas.

O Ebitda ajustado aumentou 6,9% e atingiu R$ 1,1 bilhão. De acordo com a empresa, ele foi sustentado pelo bom momento pré-pandemia, diluição dos custos e margem resiliente de 7,7%. O lucro líquido ajustado do Grupo Carrefour foi de R$ 401 milhões no período. “Registramos uma rentabilidade muito resiliente, apesar de maiores custos, visando garantir a saúde e a segurança dos nossos colaboradores e clientes em um trimestre marcado por um ambiente atípico e sem precedentes, associado à disseminação da pandemia da Covid-19”, registra Noël Prioux, CEO do Grupo Carrefour Brasil.

Vendas

No primeiro trimestre, as vendas nas lojas registraram alta de 7,6%. O crescimento já apresentava tendências positivas nos dois primeiros meses do ano em todos os formatos, mas, devido às medidas de isolamento social, foi intensificado nas duas últimas semanas de março, quando houve um crescimento de 20,9%.

O crescimento apresentou uma combinação bastante equilibrada em sua composição: 8,9% de crescimento no Varejo (9,8% incluindo efeito calendário) e 7% no Atacadão (8,2% incluindo efeito calendário). O e-commerce, que também ganhou visibilidade e começa a conquistar a confiança inclusive de consumidores que não o utilizavam antes da pandemia, teve um desempenho marcante no período. No Carrefour, houve um aumento de 235% do Volume Bruto de Mercadorias (GMV) alimentar, em comparação com o primeiro trimestre de 2019.

“A companhia apresentou desempenho de vendas muito sólido”, reforça Prioux. “O crescimento reflete nossa capacidade de atender um aumento da demanda em março em todos os formatos e canais”.

Lidando com a pandemia

Sem dúvidas, o desafio enfrentado por todas as empresas mundo afora é inédito. A Covid-19 testou (e segue testando) a capacidade das organizações de encontrar saídas para diferentes circunstâncias inéditas – e com o Grupo Carrefour Brasil não foi diferente. A boa notícia é que a empresa implementou variadas e abrangentes medidas buscando garantir a segurança de todos. “O Carrefour está totalmente mobilizado para atender às necessidades dos consumidores brasileiros e proteger o seu poder de compra em meio a um cenário muito volátil”, confirma o CEO.

Nesse processo, foram contratados 5 mil novos colaboradores que, como mostrou a NOVAREJO, incluíam especialistas em digital, o que representa uma resposta para as demandas dos clientes. Afinal, as vendas do e-commerce alimentar triplicou no primeiro trimestre de 2020. O número de pedidos no e-commerce alimentar também triplicou, atingindo recorde de 4269 pedidos em um único dia. Nos primeiros 14 dias de março, a média de pedidos diária foi de 1.674.

Como consequência do cenário atual, as entregas em domicílio representaram 85%. No primeiro trimestre de 2019, esse resultado foi 69%. As vendas de não-alimentar também se mostraram muito resilientes, crescendo 5,7% no período.

Responsabilidade social

Também em resposta ao cenário de Covid-19, a companhia anunciou a doação de R$ 15 milhões em cestas básicas para apoiar pessoas em situação de vulnerabilidade social; criou o movimento Compra Solidária, para arrecadar doações de clientes e colaboradores; e passou a apoiar o projeto Máscaras Solidárias, beneficiando mulheres de baixa renda.

Além disso, realizou um aumento no estoque de produtos mais sensíveis e prioritários, negociações recorrentes com fornecedores para evitar ou conter aumento de preços e a decisão de congelar, por dois meses, os preços de 200 itens de marca própria e campanhas especiais de produtos perecíveis.

“Acreditamos que os consumidores constroem relacionamentos mais duradouros com marcas e empresas que se posicionam em momentos de adversidades”, afirma Silvana Balbo, diretora de Marketing do Carrefour. “No atual cenário, é importante que as marcas fortaleçam o relacionamento com seus consumidores por meio de ações que gerem impactos positivos para a sociedade”.

Atacadão

- O crescimento foi de 13,6%;
- As vendas brutas totalizaram R$ 10,8 bilhões;
- As vendas em mesmas lojas avançaram 7% (8,2% incluindo efeito calendário);
- O lucro bruto avançou 9,5%, alcançando R$ 1,5 bilhão;
- O Ebtida ajustado avançou 9.3%, atingindo R$ 694 milhões;
- A margem ficou em 7,1%.

Carrefour Varejo

- O crescimento foi de 8,9% – ou 9,8% incluindo efeito calendário favorável;
- As vendas totais atingiram R$ 4,5 bilhões, incluindo marketplace;
- A alta de 11,2% nas vendas de alimentos foi o maior aumento trimestral nos últimos cinco anos;
- O multiformato registrou crescimento de vendas de 8,5%, com aumentos de 5,6% nos volumes e de 8,5% no ticket médio;
- Os alimentos registraram crescimento de 10,1%, com sólidas vendas em todos os formatos.

Banco Carrefour

- O faturamento atingiu R$ 9 bilhões, um crescimento de 26,4%;
- O cartão Carrefour registrou aumento de faturamento de 17,5%, alcançando R$ 6,1 bilhões;
- O cartão Atacadão registrou faturamento de R$ 2,7 bilhões, um crescimento de 52,4%;
- A carteira de crédito apresentou crescimento de 34,4%, atingindo R$ 11,9 bilhões;
- A receita operacional líquida aumentou 26,8%;
- O Ebtida ajustado somou R$ 252 milhões, um aumento de 2,9%.

Fonte: Consumidor Moderno | Postado em: 19/05/2020