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Atacarejo pagando menos por mais


A economia brasileira, de uns tempos para cá, tem vivido dias sombrios e incertos, especialmente desde o ano de 2015. Esse ano foi decisivo para que o país mergulhasse em uma profunda crise econômica com algumas consequências devastadoras. Tal crise afetou diversas esferas. Estima-se que somente em 2018 a situação possa, talvez, começar a dar os primeiros passos de recuperação.

O cenário atual não é dos melhores. O nível de desemprego vem atingindo percentuais preocupantes e não tem parado de crescer. Contudo, o trabalhador brasileiro encontra alternativas para continuar seguindo em frente, sem prejudicar muito o seu orçamento, já bastante comprometido por essas situações. Até para os desempregados há meios e formas de contorná-las. Não é fácil para ambos – os trabalhadores e os sem emprego – mas a realidade pede que algo seja feito. Economiza-se nas compras básicas e essenciais de casa, nos bens a adquirir, no pagamento de contas e impostos, entre tantos outros ajustes. Para a sobrevivência básica do ser humano, existem algumas compras que são vitais, como a alimentação, higiene pessoal, medicamentos etc. Ir regularmente ao comércio não deixou de ser um ato cotidiano, porém, a escolha de onde ir tem sido fundamental para praticamente todos os brasileiros, independentemente da classe social e financeira.

Para a compra essencial de comida e bebida, por exemplo, algo indispensável na mesa do brasileiro, opções de estabelecimentos no comércio não faltam. Isso também vale para os demais itens que sempre compõem a lista de compra dos consumidores – higiene, limpeza, remédios, entre outros. Entre tantos locais de venda, de pequeno a grande porte, o cliente pode escolher mercadinhos de bairro, mercearias, super e hipermercados e até lojas virtuais do mesmo segmento. No entanto, uma ramificação do setor que está agradando e muito o consumidor – principalmente aquele preocupado em economizar – é o de atacarejo, que tem crescido consideravelmente em número de lojas e de compradores.

Formas

O atacarejo (neologismo de atacado e varejo) possui duas formas usuais de venda trabalhando com os conceitos de autosserviço (self-service) e de cash and carry (pegue e leve). Originalmente norte-americano, o atacarejo tem a proposta de funcionar como atacado, porém, diferentemente do conceito original: vender majoritariamente para revendedores. A diferença que ocorre nos últimos anos é o atacado vender diretamente para o consumidor final.

O super ou hipermercado desse segmento vende com o preço de atacado (mais baixo), mas em quantidades menores dos que os revendedores levam, beneficiando o cliente que pretende pagar menos, mas levar mais, sem a necessidade de fazer várias compras de um mesmo produto dentro de um período curto de tempo, como ocorre nos tradicionais varejos. É esse ramo que tem atraído milhões de consumidores a poupar mais. Isso não beneficia somente os compradores domésticos, mas também os pequenos investidores e revendedores que possuem seus pequenos e médios negócios na localidade onde atuam. Assim, no atacarejo, é muito mais vantajoso o empresário local realizar sua compra do que no atacado tradicional, já que ele não precisa de grandes quantidades de determinados produtos para o seu negócio.

Diversas empresas brasileiras e multinacionais supermercadistas já instaladas no país por décadas implantaram o atacarejo beneficiando clientes e revendedores. Localizadas em todos os estados da federação, as maiores redes de atacados de autosserviço, juntas, somam 450 lojas, segundo informações da Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (Abaas).

Atendimento

Maior atacadista de alimentos do Brasil e presente em 100% dos Estados do país, o Atacadão, que faz parte do grupo Carrefour, atende, em suas unidades de autosserviço, consumidores finais, pequenos comerciantes e transformadores (padarias, restaurantes e pizzarias etc.), estes dois também atendidos pelo formato de atacado de entrega, sempre com foco na oferta do melhor preço. Por meio da assessoria de comunicação do atacadista, a rede informa que está há 54 anos no segmento de atacado de alimentos.

O Atacadão entende seu papel como parceiro de negócios dos transformadores e comerciantes em geral, buscando oferecer diariamente uma combinação de grandes ofertas que contribuam para que esse público mantenha custos baixos em sua operação, sem perder a qualidade.  Além disso, a rede está atenta ao recente aumento da presença de consumidores finais em suas lojas de autosserviço, trabalhando para manter preços justos sem que seus clientes precisem abrir mão da qualidade dos produtos que costumam comprar. O Atacadão comercializa mais de 10.000 itens em cada unidade de autosserviço, que abrange diversos setores como mercearia, bebidas, cuidados pessoais, artigos de limpeza e higiene, frios, laticínios e hortifruti. No entanto, o sortimento varia de uma unidade para outra, dependendo da região onde está localizada a partir da demanda do consumidor local e da inclusão de produtos regionais.

Atualmente, o Atacadão conta com 132 lojas de autosserviço e 22 atacados de entrega distribuídos por todas as cinco regiões do país, além de uma unidade da bandeira Supeco na cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo. Em linha com sua estratégia de negócios regular e estruturada, de janeiro a novembro do ano passado, a rede inaugurou dez unidades de autosserviço. Em 2015, por exemplo, a companhia atingiu um importante marco para o varejo brasileiro: com a inauguração da unidade de autosserviço de número 121, em Boa Vista (RR), a operação do Atacadão alcançou todos os estados brasileiros. Ainda em 2015, o Atacadão inaugurou 12 novas lojas de autosserviço e três atacados de entrega e prevê o mesmo ritmo de crescimento para os próximos anos.

Atuação

O Spani Atacadista atua no mercado há 12 anos. Atualmente, está presente nas cidades de São José dos Campos com duas unidades, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Bragança Paulista, Lorena, Mogi das Cruzes, Caraguatatuba, Atibaia, Volta Redonda e Resende e conta também com um Centro de Distribuição localizado em Taubaté (SP). O Spani atende tanto os varejistas/transformadores quanto o consumidor final, onde é possível adquirir embalagens fechadas ou pequenas unidades.

O atacadista atua no Vale do Paraíba, Alto Tietê, Região Bragantina e Sul Fluminense com lojas físicas e também através do Spani Express, composto por aproximadamente 120 vendedores externos que atuam em todo o estado de São Paulo. A maior parte do faturamento das lojas Spani (acima de 60%) vem do público profissional, pequenos varejos e transformadores de alimento.

Segundo o instituto de estudos Nielsen, a diferença de preços entre uma loja de atacado e um supermercado é acima de 20%. Flávio Almeida, diretor comercial do Spani, diz que a principal característica do ramo atacarejo é a quantidade/necessidade que o cliente precisa adquirir. “Ou seja, o cliente que define o que é melhor para atender a sua necessidade, qual a quantidade que ele precisa levar, facilitando a vida do varejista ou do consumidor final. Resumindo, o cliente retira o produto na gôndola, coloca no carrinho e leva para sua casa”.
Flávio continua explicando que o cliente aprendeu a comprar no atacado. “Ele já enxerga o atacadista como o local para abastecer sua casa ou comércio. Temos uma média de 2.700 clientes/dia/loja que vão desde o consumidor final a estabelecimentos comerciais, como restaurantes, bares ou hotéis”. Quanto a benefícios, pode-se considerar a economia em comprar em grandes quantidades como também a praticidade em adquirir todo o mix necessário para atender a sua necessidade em apenas um lugar, não precisando atender vários fornecedores no seu local de atacarejotrabalho. “Algumas empresas passaram a atuar no segmento. Posso falar pelo Spani. Estamos, sim, satisfeitos com os resultados e vamos continuar investindo em mais lojas”, conclui. Somente no primeiro semestre de 2017, o atacadista abrirá quatro novas lojas. Flávio Almeida, do Spani, ressalta que o cliente já enxerga o atacadista como o local para abastecer sua casa ou comércio

A consultoria Nielsen apresentou uma pesquisa no mês de novembro passado mostrando que, de janeiro a setembro do mesmo ano, o número de clientes que compram em atacarejos aumentou, enquanto que em supermercados tradicionais diminuiu. O estudo mostra que o brasileiro foi mais leal ao atacado de autosserviço do que aos de outros segmentos.

Fonte: Food Service News