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Glúten: os mitos sobre a restrição do nutriente na alimentação

Dieta da Proteína, da Sopa, dos Sucos, da Lua, do Tipo Sanguíneo, da USP, do Gluten-free, entre outras tem ganhado muito espaço na mídia em função da promessa da rápida perda de peso. O apelo do “corpo ideal”, no entanto, acaba levando à escolha de dietas inadequadas do ponto de vista nutricional e aumentando risco à saúde.

Aproveito o mês de maio, quando se comemora o Dia Internacional do Celíaco, para trazer uma reflexão especifica sobre o perigo das dietas que propõem a restrição indiscriminada ao glúten e ao carboidrato, mesmo quando encontrados em grãos integrais.

Recente reportagem veiculada na imprensa cita o neurologista David Perlmutter, autor do livro “A Dieta da Mente”, para quem esses nutrientes podem causar demência, esquizofrenia, déficit de atenção, epilepsia, ansiedade, enxaquecas entre outros efeitos indesejáveis. Essa afirmação não tem respaldo científico e, ao contrário, muitos estudos confirmam que a inclusão de frutas, vegetais, pão, trigo, cereais, azeite, peixe e suco de uva vermelha ou vinho tinto têm o poder de reduzir o risco para essas doenças.

No nosso metabolismo, a fonte essencial de energia para o cérebro é a glicose, cujo principal componente é o carboidrato. Ele é tão sensível a esse nutriente que todos os esforços no corpo são para manter os níveis adequados de glicose no sangue para que tudo funcione perfeitamente. Além disso, eles ajudam na regulação do intestino e de todo o funcionamento do corpo. Eliminá-los sem que isso esteja ligado à intolerância ao glúten (caso da doença celíaca) pode trazer consequências negativas para a saúde, como irritabilidade, stress, dor de cabeça, tontura e até hipoglicemia.

É importante esclarecer que os alimentos que contém glúten fazem parte da base da pirâmide alimentar aprovada pela Universidade de Harvard e pela Universidade de São Paulo. São eles: trigo, cevada, aveia, centeio e malte. Logo, todas as preparações realizadas com essas matérias-primas, contêm o nutriente. Segundo o Guia Alimentar da População Brasileira, o ideal é que seja feito o consumo variado de alimentos dentro de todos os grupos alimentares.

Vale reforçar que a recomendação indiscriminada para restrição ao consumo de glúten não encontra atualmente embasamento na ciência da nutrição e a recomendação para a não ingestão do nutriente deve ser destinada somente aos pacientes com doença celíaca, dermatite herpetiforme, alergia ou sensibilidade ao glúten, que correspondem a apenas 1% da população mundial. Esse diagnóstico clínico é de competência exclusiva do médico e o descumprimento dessas diretrizes oferece indícios de infringência ao Código de Ética do Nutricionista.