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Rita Lobo está certa: comida não é remédio nem veneno

A chef Rita Lobo tem toda razão ao combater a "medicalização da alimentação" –a crença de que alimentos podem evitar ou provocar doenças. Comida não é remédio nem veneno. Não tem poderes milagrosos nem malignos, ao contrário do que defende um exército de nutrólogos, nutricionistas e celebridades.

É difícil achar um agrupamento humano que não tenha tabus alimentares e não separe os alimentos em bons ou ruins, sagrados ou malditos.

No Brasil do século 17, usar azeite de oliva em frituras era politicamente incorreto: levantava a "suspeita de judaísmo", já que católicos usavam banha de porco nas frituras. Entre os Hua, da Nova Guiné, garotos não podem comer o que lembre vaginas (que seja vermelho, úmido, com pelos ou tenha um orifício).

O filósofo americano Alan Lebinovitz acredita que a maior parte das dietas atuais segue essa predisposição humana de atribuir valor moral aos alimentos. A diferença é que hoje as superstições alimentares desfilam com uma roupagem científica, apesar do pouco embasamento empírico.

Lebinovitz estuda o assunto do ponto de vista da sua especialidade, a história da religião. Para ele, assim como os contos de fadas, as crenças alimentares têm enredos comuns. No livro "A Mentira do Glúten", ele identifica alguns roteiros frequentes, confira.

Fonte: Folha de S. Paulo